Depois de conquistar seu espaço como sócia de uma grande produtora, Iafa Britz trilhou seu caminho em uma nova empreitada, a Migdal Filmes, e já coleciona sucessos e tem novos projetos vindo por aí

Iafa Britz tem em seu rol de trabalhos muito sucessos de bilheteria. A lista é composta por Irmã Dulce, Minha Mãe é uma Peça - O Filme, Totalmente Inocentes, Nosso Lar, Divã, Se Eu Fosse Você 2, 31 Minutos – O Filme, Se Eu Fosse Você, projetos em que atuou como produtora, tanto na Total Entertainment (empresa em que foi sócia) quanto na Migdal Filmes, companhia que ela começou em 2010 e que hoje está no topo da lista de desenvolvedores de conteúdo original nacional, tanto para o cinema quanto para a TV, com parcerias importantes com os canais Multishow e GNT, além de ter uma sequência de filmes interessantes para chegarem aos cinemas em 2015, como Linda de Morrer (comédia estrelada por Gloria Pires e dirigida por Cris D’Amato), Casa Grande (longa premiado no Festival de Paulínia em 2014), Cássia (documentário sobre Cássia Eller) e Minha Mãe é uma Peça 2.

Carioca, Iafa também foi uma das diretoras do Festival do Rio, onde responsável pelos seminários de mercado e pela criação da área de negócios. Atualmente também é membro do Sindicato Interestadual da Indústria do Audiovisual (SICAV), do Rio de Janeiro. Ela se formou em informática pela PUC do Rio de Janeiro e, segundo o portal Filme B, começou produzindo comerciais e vídeos institucionais, tendo feito mais de 50 trabalhos entre 1994 e 1997. Em 1996, entrou para a TV Manchete como produtora executiva. Entre 1997 e 1998, produziu vários curtas-metragens, até trabalhar na Total Entertainment e produzir longas-metragens.

Em entrevista exclusiva, Iafa Britz fala sobre sua carreira, os filmes de maior sucesso que produziu, a criação de sua própria empresa, os desafios de produzir filmes no Brasil, entre outros assuntos.

Ver Video & Games – Como nasceu a Migdal Filmes e, em paralelo, conte um pouco mais sobre a sua trajetória.
Iafa Britz –
Eu fui sócia durante quatro ou cinco anos da Total Filmes e depois que eu me desliguei dessa sociedade, acabei montando uma produtora nova, que é a Migdal Filmes. A Migdal nasceu junto com outra experiência incrível que eu tive, que foi a produção do filme Nosso Lar.

VV – Para você, o Nosso Lar foi um marco na sua carreira?
Iafa –
O Nosso Lar foi um marco em todos os aspectos, profissionalmente falando, pessoalmente falando. Foi muito importante realmente.

VV – Há três grandes filmes que pontuam a sua trajetória, Se eu Fosse Você, Nosso Lar e o mais recente Minha Mãe é Uma Peça. Você concorda?
Iafa –
Acho que sim, acho que todos são importantes, cada um em período diferente. O Minha Mãe É Uma Peça aconteceu em um momento que a empresa já estava montada e foi um filme super feliz de ser fazer com o Paulo Gustavo. O Nosso Lar foi outro muito importante também. É bom ressaltar que o Se Eu Fosse Você eu ainda estava na Total Filmes e foi também uma loucura, mas muito importante.

VV – Para você, sair de uma produtora em que você era sócia e montar uma sua, foi arriscado ou você já saiu com a certeza de que iria dar certo?
Iafa –
Não, eu não tinha certeza de nada. É muito difícil você se desligar de uma empresa, a gente fica amigo das pessoas com quem a gente conviveu ao longo de tantos anos, foi muito difícil. O importante é que agora está todo mundo bem, mas foi muito difícil na época. Eu não tinha certeza de nada, eu só estava buscando um tipo de trabalho diferente, era isso. Então não foi uma conclusão, porque tem tanta coisa acontecendo... O que está havendo é uma construção, com anos bons, anos piores e está acontecendo, um ano de cada vez.

VV – Por experiência pessoal, ao começar a trabalhar com isso, e poder ir conhecendo os bastidores da produção, hoje é possível afirmar que seu nome é referência quando se fala em produção.
Iafa –
É muito bom ouvir isso! Obrigada! Mas é que a gente trabalha muito...

VV – Ah, mas isso a gente vê! E não só de filmes que vocês vivem. Tem muitos trabalhos de televisão...
Iafa –
Isso, a gente começou a fazer essa parte de televisão tem uns dois anos, mais ou menos. A gente começou a fazer parcerias com o Multishow e a produzir conteúdo. O primeiro trabalho foi o 220 Volts com o Paulo Gustavo, e depois outros projetos no canal foram acontecendo. Hoje, a gente está fazendo As Canalhas no canal GNT, que estamos rodando já a terceira temporada.

VV – Como foi esse caminho até a televisão?
Iafa –
Pois é, você tem que convencer que você consegue fazer televisão, além de cinema. É um novo processo de produção, bastante diferente do cinema. Mas, ao mesmo tempo, é apresentar novos projetos, boas ideias, fazer e executar. As Canalhas nasceu assim, de um projeto que foi apresentando, que o canal gostou muito e o público achou muito legal também, tanto que estamos na terceira temporada agora. O 220 Volts veio do Paulo Gustavo, é uma criação dele e o programa é fruto de uma parceria grande que eu tenho com ele. O filme veio depois, Minha Mãe é Uma Peça, e é uma parceria muito rica que nós temos. Fazer televisão é uma coisa muito legal, uma experiência muito bacana, que tem o ritmo diferente, tem um giro diferente na nossa vida, no dia a dia, é bem diferente que no cinema.

VV – E o espaço que você tem até para errar na televisão não é o mesmo que no cinema, onde se tem aquele tempo de pós-produção, edição. Na televisão, principalmente se você faz um trabalho semanal, você tem que correr...
Iafa –
Na verdade, o nosso espaço para erro é quase nenhum nunca. Mas, na televisão, o que acontece é que a gente tem garantia de sucesso e o no cinema é aquela coisa, a gente fica anos trabalhando para em um final de semana, aliás, em um dia, saber se o trabalho aconteceu ou não. Na televisão, a coisa é mais imediata, você sabe na hora se aquilo está funcionando bem ou não. Mas todo esse sucesso também é por conta da parceria com o canal. O canal é o responsável por te dar informações e previsões, e isso é muito bom.

VV – Nesse momento, então, vocês estão colhendo os frutos desses trabalhos na televisão. As Canalhas está na terceira temporada, o 200 Volts com o Paulo Gustavo é um sucesso...
Iafa – O Paulo Gustavo virou uma loucura, não é? Eu sou muito fã dele!


VV – Para o ano que vem, podemos esperar quais novidades na televisão e nos cinemas?
Iafa –
Para 2015, vamos lançar o documentário Cássia, que conta a história da Cássia Eller. Estamos finalizando o Linda de Morrer, que é uma comédia com a Glória Pires. Temos também o filme Casa Grande, que estamos trabalhando com a Imovision, que é um filme do Felipe Barbosa e foi premiado no Festival do Rio com o Prêmio de Público. Para a televisão, estamos fazendo a segunda temporada do Música.Doc, no canal pago VH1, enfim, espero que mais projetos aconteçam mais para frente.

VV – Em cartaz, está o Irmã Dulce, distribuído pela parceria Downtown/Paris Filmes. Como foi a sua participação nesse projeto?
Iafa – Foi uma história meio maluca. Uma pessoa da Bahia mandou o material do projeto para o Bruno Wainer, da Downtown Filmes, o Bruno então me ligou perguntou se eu conhecia a história da Irmã Dulce, eu não conhecia, então embarcamos para a Bahia. A gente ficou encantado com aquelas obras, ficamos muito impressionados com a história dela e achamos que tudo aquilo realmente merecia um filme para engrandecer e guardar a história dela. É um filme bastante oportuno também, por ser uma heroína brasileira, pela mensagem... É bem bonito.

VV – O Irmã Dulce então vai parar no cinema ou podemos esperar ele chegando à televisão também?
Iafa –
Ah sim, ele vai para depois para a Telecine, para a Globo, para tudo!

VV – Sobre Linda de Morrer, em que fase de produção está o filme?
Iafa –
Acabamos a fase de pós-produção e já estamos montando o filme. Está praticamente pronto!


 

VV – E qual o seu feeling para esse projeto?
Iafa –
É uma comédia muito gostosa, com uma história muito criativa. O elenco é maravilhoso, temos a Glória Pires, a Viviane Pasmanter e a Suzana Vieira. Estamos trazendo também o Emílio Dantas, que viveu o Cazuza no musical, que é um ator de teatro com um trabalho maravilhoso. Estou muito animada com o filme, é grande um roteiro, com um time muito legal.

VV – Você mencionou as parcerias com a Downtown, a Imovision, a Fox... Como acontecem os acordos de distribuição em seus projetos?
Iafa –
Normalmente, a gente apresenta o projeto, determinadas distribuidoras gostam, se interessam e acabamos desenvolvendo aquele projeto. Geralmente é assim que acontece. Não existe uma predefinição. Às vezes, até é um projeto que vem de uma ideia conjunta, mas não tem uma regra.

VV – Qual a sua visão sobre o nosso principal público, as videolocadoras? Qual sua opinião sobre as videolocadoras no mercado do audiovisual? Quando você está desenvolvendo um projeto, você visualiza a videolocadora como parte das janelas de destruição?
Iafa –
Com certeza, nós já sabemos e pensamos em todas as janelas quando estamos trabalhando em um projeto. O que a gente faz é preparar um material extra, bacana, é fazer um bom making of e outras coisas para deixar o filme ainda mais atraente.

VV – Você acredita que as videolocadoras são importantes para o desenvolvimento dos projetos?
Iafa –
É uma janela que está cada vez menor. Creio que vocês saibam dizer isso de modo muito melhor, mas é uma janela que a gente respeita e sempre tenta produzir material para ela. Com a quantidade de novos formatos que temos hoje, é muito difícil dizer quanto tempo mais as janelas irão durar.

VV – Apesar de termos muito conteúdo estrangeiro e novas maneiras de acesso a esse conteúdo, a produção brasileira tem se destacado nos últimos anos e apresenta sempre números bastante positivos em relação ao público e a renda. Em sua opinião, qual a razão desse sucesso?
Iafa –
Eu acho que é isso fruto de um processo de construção. Tanto com o público, mas também com a qualidade. Os produtores e toda a cadeia de produção se especializando e se desenvolvendo representa um ganho de qualidade em todos os sentidos. Infelizmente, agora no segundo semestre a resposta do público não foi muito boa, houve uma queda significativa nessa questão, mas acho que depende muito do ano. Acho que os ganhos vêm como resultado de muitos anos de formação, a procura de um público cada vez mais diversificado, oferecendo vários gêneros. Acho que isso é resultado de uma construção mesmo.

VV – Você ainda enxerga potencial para crescimento?
Iafa –
Ah, sim, com certeza! A gente tem muito ainda para crescer. Em 2015, temos que reconquistar esse público que não esteve com a gente em 2014. Temos muito a que melhorar, em tudo, nos processos, em diversos outros aspectos. Mas, o importante é que temos muito ainda a conquistar.

Entrevista concedida a André Cavallini e publicada originalemente na edição 258 de VER VIDEO & GAMES.
 

 

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