O ator egípicio Omar Sharif, que foi eternizado como Dr. Jivago, faleceu no Cairo por conta de um infarto. Conheça a sua trajetória e detalhes da carreira que o levou ao estrelato.

 

Omar Sharif conseguiu romper barreiras e colocou o seu nome ao lado de astros de Hollywood, consquistando seu espaço como estrela de blockbusters

Nas inúmeras entrevistas concedidas por familiares e amigos após a morte do ator Omar Sharif, pudemos entender quem era o homem por trás dos grandes olhos castanhos que conquistou multidões de donzelas ao longo de décadas com seu trabalho. Eternizado nas telas como Dr. Jivago, ou aclamado por Lawrence da Arábia, o ator egípcio, que se formou em Matemática e Física, começou sua carreira em 1954, ainda no Cairo, onde ganhou fama. Seu primeiro longa foi Siraa Fil-Wadi. Porém, até ser descoberto pelas lentes de Hollywood, Sharif teve percalços em seu caminho. Enquanto a técnica e a beleza ajudavam, o sotaque, a língua e certo preconceito de determinados produtores atrapalhavam.  

Em uma entrevista concedida por seu neto, Omar Sharif Jr, ele conta uma das passagens ao lado do avô: “Filmávamos The Secret Scripture, de Jim Sheridan, estávamos em Dublin. Ele interpretava um padre que não podia se comunicar muito bem, então o neto (no caso eu) falava por ele. Vivíamos algo bem semelhante na vida real, mas, em um momento de lucidez, quando Jim chegou no set e disse, ‘OK, eu preciso de você para interpretar um irlandês com sotaque irlandês’, eu disse ao meu avô, ‘Dois árabes vão interpretar irlandeses?’, então ele disse: ‘Bem-vindo à minha vida’”.

Acostumado a enfrentar desafios nesse sentido, Sharif sempre se mostrou muito versátil. Deu vida a árabes, russos ou judeus. Passou por Che Guevara e Genghis Khan. “Ele realmente fez transcender todas essas culturas. Em Uma Amizade sem Fronteiras (2003), ele fez Monsieur Ibrahim, o personagem que era turco e que fez amizade com um menino judeu. Isso reflete o respeito à diversidade e à tolerância religiosa, coisa que ele tinha de sobra”, conta o neto. 

Omar Sharif faleceu aos 83 anos de idade, depois de sofrer um infarto. O ator estava internado há quase um mês em hospital no Cairo. Há três anos, Sharif começou a apresentar os primeiros sinais de Alzheimer e desde então viva em um Hotel distante 430 quilômetros do Cairo, fugindo da agitação da grande cidade. Em uma entrevista concedida ao jornal espanhol El Mundo, seu único filho, Tarek, descrevia as condições do pai: “Há dias melhores e dias piores. Quando encontramos fãs, ele os trata como fossem pessoas de nosso convívio, sem saber a razão pela qual recebe tantos elogios. Sobre a morte de minha mãe (Faten, sua ex-esposa, ocorrida em janeiro deste ano), ele não expressou reação depois que recebeu a notícia. Chegou a me perguntar dias depois como ela estava”. 

Omar Sharif foi indicado ao Oscar® por Melhor Ator Coadjuvante por Lawrence da Arábia (1963), mas não levou a estatueta. No mesmo ano, recebeu o Globo de Ouro pelo papel, e em 1965 repetiu o feito pelo protagonista Dr. Jivago.

 
 
 
 

 

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