Com dois filmes entrando em cartaz em maio, o suspense O Vendedor de Passados e a comédia Sorria... Você Está Sendo Filmado, o ator Lázaro Ramos fala sobre seus personagens, as expectativas para os lançamentos, sua carreira e muito mais. Confira o bate-papo exclusivo a seguir!
 
 
Ver Video & Games – O Vendedor de Passados e Sorria... estão chegando aos cinemas em maio, mas foram rodados em épocas diferentes, com meses de distância entre eles. Como foi para você fazer esses trabalhos e qual a sua expectativa para a chegada deles às salas de exibição?
Lázaro Ramos – Há males que vêm para bem. No caso de O Vendedor de Passados, o ano de 2014 foi muito ruim para o lançamento de filmes, um pouco por causa da Copa do Mundo e também por causa das eleições. O foco e o espaço para divulgação de cinema estavam muito ruins, então, a produção decidiu adiar para 2015. Acredito que tenha sido uma decisão acertada o adiamento. O Vendedor de Passados acabou chegando num momento de reflexão do país, já que ele tem como grande tema uma pergunta: Qual é a verdade? Penso que o lançamento terminou deixando o filme ainda mais atual. Trata-se de um suspense, com pouco de romance, mas acho que a proximidade com o tema vai agregar valor ao filme. 
 
 
 
 
Falando sobre o Sorria..., acho que ele chega num bom momento para nós do Brasil, que conquistamos um grande público com as comédias – e isso é algo que penso que deva ser citado – e esta é uma comédia um pouco diferente. Ela tem piada, tem humor, mas que também experimenta, por ser um filme que é feito num plano-sequência, com um modelo de produção diferente, que é o modelo de cooperativa, em que os atores e a equipe técnica entram como sócios do filme. É a busca por novos caminhos para o cinema brasileiro. Acho bacana os dois filmes estrearem assim, pois são dois filmes em duas direções diferentes, que ao mesmo tempo estão tentando trazer outros gêneros – ou uma exploração diferente de um gênero conhecido – para o cinema brasileiro.
 
VVG – Eles não seriam “mais do mesmo”.
Ramos – Isso, não seriam “mais do mesmo”.
 
VVG – Falando sobre seus personagens, o Vicente, de “Vendedor”, é um cara que cria mentiras e está em busca de sua própria verdade, e o Geneton, de “Sorria”, é um cara super comum, com apelo bastante popular. Você acredita que o público se identificará com eles de alguma forma?
Ramos – Bom, quero crer que sim (risos). O Geneton é facilmente identificável com a maioria das pessoas. Por ele ser uma pessoa simples, ter aquele fascínio por aparecer na TV, na mídia. É um fascínio quase pueril. Acho que isso é algo que todos nós carregamos, ao menos um pouco, em cada um, né? Essa coisa do ídolo, da fama. Não há ser humano que encontrando com um ídolo seu não fique meio infantil, não é? 
 
VVG – E ele cria aquela expectativa de aparecer na TV, fica ansioso, nervoso...
Ramos – É, fica na expectativa de ser visto na TV, de ficar perto de alguém famoso, conhecer alguém do cinema, da música... Eu, quando encontrei Caetano Veloso pela primeira vez, parecia uma criança (risos). Fiquei bobo perto dele, tudo o que ele falava para mim era incrível. Podia estar pedido apenas um café, mas para mim era “Caetano Veloso está pedindo um café” (risos).
 
VVG – E eu vou tomar um café com Caetano Veloso!
Ramos – Sim, tomei um café com Caetano Veloso! (risos) E o Vicente, de O Vendedor de Passados, não sei se ele tem o perfil tão identificável com o público, mas o que ele representa é muito identificável. Ele representa a busca por uma identidade. 
 
 
VVG – Você tem se dedicado também à produção nos últimos anos, correto? Você é produtor associado nestes dois lançamentos, por exemplo.
Ramos – Sim, nos dois. Já trabalhei como produtor em sete filmes. Na verdade, às vezes como produtor, às vezes como produtor associado. Tenho buscado muito esse caminho e esse modelo, porque, primeiro que eu gosto de estar nessa parte da produção. O primeiro trabalho que fiz na produção foi em Cafundó e o segundo, em Ó Paí, Ó, como associado. Gosto dessa dinâmica da produção, e para mim é importante, pois começo a me preparar para quando for fazer o meu filme, rodar o meu primeiro filme. Tem processos da produção que eu não conhecia e que depois desses anos todos como coprodutor eu tive acesso – e que foi importantíssimo – e a tendência é essa, acho até que facilita, o fato de você também assinar como produtor associado abre portas, serve até como moeda para troca, já que ter seu nome envolvido na produção valoriza também em termos de aprendizado, de currículo e potencializa o projeto. Às vezes, o nome como produtor associado é como se fosse uma curadoria, né, então pode atrair o investidor e o próprio espectador, que compreendem o meu ponto de vista artístico e dizem “ah, ele está assinando ali, dando sua curadoria ali, deixa eu ver o que ele está propondo”, penso.
 
 
VVG – Você trabalhar como produtor te coloca a par dos caminhos também para obter opções de financiamento com o governo, a iniciativa privada...
Ramos – Sim e não só em termos de financiamento e governo, mas, como eu já mencionei antes, de novos formatos de produção. O Sorria, Você Está Sendo Filmado tem um modelo muito interessante de produção, inclusive o planejamento dele de venda on-demand, de quando ele for passar na TV por assinatura, na TV aberta... As novas mídias em que você tem possibilidade de difundir o seu filme, é tudo muito interessante, são novos caminhos e temos que aprender a usar, porque o futuro é isso, não tem mais jeito, não é somente em uma tela em que nossos trabalhos vão ter projeção e vão ser vistos.
 
VVG – Como você entrou no projeto do “Sorria”? Pelo que pesquisamos, você e o Daniel Filho (diretor e idealizador do projeto) nunca trabalharam diretamente juntos.
Ramos – Não, nunca trabalhamos diretamente nesse sentido, mas já nos conhecemos há muito tempo, pois ele foi produtor em vários filmes em que atuei, ou como associado ou pela Globo Filmes, e já faz alguns anos que a gente tenta trabalhar juntos. Inclusive, ele me convidou, há quatro ou cinco anos, para fazer o Roque Santeiro, numa proposta que eu mesmo considerei ousada, para eu fazer o próprio Roque Santeiro. O filme acabou não saindo, mas a gente sempre conversou que um dia iria trabalhar juntos. Então, certo dia ele me ligou e disse que estava querendo fazer um filme, fazer uma loucura, “e quero ver se você embarca nessa comigo, acho que pode ser muito divertido – com foi mesmo, como acabou sendo – e acho que a gente pode começar uma relação aí”. E foi ótimo para mim! O Daniel Filho é um ótimo conhecedor do cinema, do mercado de cinema, tem muitas histórias para contar. É uma convivência muito bacana, pois ele sempre tem alguma história sobre a carreira dele para contar, como ator, como produtor e como diretor. E eu espero poder trabalhar com ele em outros projetos. 
 
VVG – Como foi filmar com o Daniel Filho em um projeto independente e num formato diferente, e ainda trabalhar em cena com tanta gente bacana, como Lúcio Mauro Filho, Otávio Augusto, Suzana Vieira... Houve espaço para improviso, teve algo mais teatral por conta do estilo de planos mais longos?
Ramos – O que tem de improviso é pouco, na verdade. Às vezes aparecia algo espontâneo e a gente incorporava, mas a experiência do “Sorria” era, primeiro, como o Daniel dizia: “É um desafio, a gente vai fazer num determinado tempo e o importante é que vocês se divirtam. Isso é um filme de trupe, onde o protagonista são todos vocês e a relação que vocês vão criar”. E foi, a gente entrou na aventura! Às vezes era tenso, porque eram planos grandes, planos-sequência, e por outro lado, a diversão era tão grande que tensão era o que menos importava. 
 
 
VVG – O resultado acabou sendo um filme leve, em que todos tiveram o seu espaço, mas que o conjunto acabou fechando bem. O que você acha?
Ramos – Eu tive a oportunidade de ver o filme duas vezes depois que terminamos de rodar. É algo interessante, sabe? A cada vez que você assiste, é uma experiência nova, pois você descobre novas coisas. Na segunda vez em que eu o assisti, fiquei vendo apenas o Lucio Mauro Filho... É um filme à parte o que ele faz ali (risos). Ele está no mundo dele, é muito engraçado, porque quando a gente está lá fazendo o filme, nem sempre dá para ver o que o colega está fazendo, então cada vez que eu for assistir, vou escolher um ator para observar (risos). Eu tenho certeza que vai ter um repertório cômico muito bacana. 
 
VVG – O que vem por aí na carreira de Lázaro Ramos?
Ramos – Coincidentemente, tenho mais dois filmes para estrear no segundo semestre deste ano. Um filme que foi feito em 2012 e outro, no ano seguinte. Um deles se chama Heliópolis, do mesmo diretor de Cidade Baixa, o Sérgio Machado, e o outro se chama Mundo Cão, que é dirigido pelo Marcos Jorge.
 

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